terça-feira, 7 de abril de 2009

Não mais Nintendo. Mudou?

Quer parecer-me até
que algo, no reino, mudou.
O meu analítico faro
coisas novas detectou...

Não mais se palestra à toa ---
por "horas" a fio e sem um final.
Também, a conversa não é mais banal.
Não se contam histórias
de coisas que tais e, que
mais pareciam novelas
de vida --- familiares reais.

Quer parecer-me até
que o trato --- o contato abstrato
de abraço de amigo, não ser mais
um grande perigo. E não é tão fatal,
nem é tão sincero, como um dia já foi.
--- Entortou as costelas...
Alguns ossos quebrou, ---
por sorte, só por isso ficou.

Quer parecer-me até
que algo, no reino, mudou.
O nome do sábio reinol (adotivo),
não sei porque cargas d'água, mudou
--- agora, se chama Mintendo.
Para mim, acho bom! Melhorou...
Pelo menos, já se pode entendê-lo:
qual proposta a sua. Qual a sua razão.

Descartada, se foi a revinda
--- aquela que vinha logo após
os acasos reflexos
de infindos pruridos mentais desconexos.
--- Diga-se, de passagem,
para alguns eram bem-vindos...

O palavreado discursivo mudou.
Tem como base o Livro ---
não uma simples leitura,
de um escrito qualquer:..

Esperemos o que será feito,
depois que o segundo vigário,
em não se sentindo satisfeito,
pular do frágil andor
deste falado "relicário".

04/07/2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sepultura Profanada

Taras H. Shevchenko
9 out. 1843 Berezan

Tradução de Mykola Szoma
(Shchoma Mykola Opanasovych)

Ó mundo, pátria querida,
Ucrânia minha,
por que causa foste devastada,
por que causa, mãe nossa, tanto padeces?

Por acaso, antes que o sol nascesse,
a Deus não fizeste preces? --- Ou,
aos filhos, de confiança indignos,
não deste princípios?

"Zelava por todos e também rezava.
Dias e noites não dormia
--- aos pequeninos cuidava.
Os princípios e os costumes ensinava.

Como que de flores, os jardins desabrochavam
--- filhos meus benditos, a sua terra governavam.
Também eu sobressaia, neste mundo vasto...
Oh! Ó, Bohdan!
Filho meu tolo e imprudente!
Veja a tua mãe agora
--- a sorte da tua Ucrânia.

Tinha os meus sonhos:
baloiçava o teu berço e cantava
o meu fado triste; --- Embalava-te,
em choro, esperava a liberdade...

Oh! Ó, Bohdan! Bohdanochek,
caso eu soubesse,
no berço eu te afogaria
--- junto ao coração meu,
o sono eterno te daria.

As estepes minhas e os prados
--- vendidos aos estranhos foram.

Filhos meus esparsos
pelo estrangeiro foram
--- trabalho de outros executam.
Dnipro -- meu irmão mais velho,
vê, aos poucos, secar o seu leito;
parece esquecer de mim
--- deixar-me sem jeito.
Os meus túmulos --- kurhany,
moscovitas estão profanando...

Que cavouquem e profanem
--- o que buscam não é deles.

Também cresçam os traidores,
que auxiliem, aos moscovitas,
a manipular o povo. Para que
despir consigam, da mãesinha,
a sua velha camisola rota...

Auxiliem --- oh, desumanos!
a manter em cativeiro a Ucrânia".

Retalhada em quatro partes;
de kurhany, a tumba profanada.
Quiseram achar o que lá?
O que teriam ali guardado
os pais antigos? Que assim o fosse.

E, se ali achassem aquilo,
o que foi guardado,
os filhos não chorariam e,
a mãe não estaria triste...

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Oh! Bohdan ---
Referência a Bohdan Khmelsnytsy, por cuja conta a Ucrânia foi ao
Império Tsarista, depois da Guerra de Libertação de 1648 - 1754.
Bohdanochek --- Forma carinhosa de Bohdan

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04/06/2009

A Canção de Sentinela de Prisão

A Canção de Sentinela de Prisão
Pesnya karaulnoho u tyurmy
Excerto do drama "Nevesta"

Taras H. Shevchenk
Dez. 1841 St. Petersburg

Tradução (da versão em russo)
de Mykola Szoma
(Shchoma Mykola Opanasovych)

O velho e altaneiro voievoda,
fazia exatos quatro anos,
que tinha ido para a guerra.

Como de costume era,
deixara trancada a sua esposa,
de trás de uma pesada porta de carvalho
--- com uma pesada fecahdura.

O velho, além de ser muito enciumado,
foi valoroso e persistente lá em combate.

Quatro anos se passaram
e a guerra já tinha terminado.
O voievoda, à sua casa havia retornado.

A sua esposa. Dela o que tinha restado?
Com a tristeza, que sentia, havia deliberado:

As janelas e a porta,
de tudo seriam transformados.

Passado um ano --- enquanto
envolvia em fraldas o filho Yan,
canções cantava a respeito
do seu idoso senhorio:

"Ai, que bom! Nana, meu filho Yan, nana!..
Que os tártaros tenham findo o voievoda ---
ou os tártaros o tenham findo,
ou os lobos o tenham devorado!
Ai, que bom! Nana, meu filho no leito macio".

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Voievoda (voivoda) --- designação antiga dos príncipes soberanos da
Moldávia, da Valáquia, e de outros povos eslavos.
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04/06/2009

sábado, 4 de abril de 2009

Perebendya -- O humorista

Perebendya
Taras Shevchenko
1839 St. Petersburg

Tradução de Mykola Szoma.
(Shchoma Mykola Opanasovych)

Perebendya, um velho cego
- quem não o conhecia?
Estava em toda parte,
a sua “kobza” tocando ---
sempre presente se fazia.

E quem toca, é muito conhecido
- todos eram lhe gratos,
por espantar-lhes suas mágoas;
porém, ele sozinho, andava só e aflito.

Levando a vida de abandono,
nem possuía um abrigo seu.
Neste mundo não lhe coubera
um lar paterno e um telheiro
– vivia só, ao léu...

Seus lábios tristes pranteavam de infortúnio
e a cabeça branca, por anos envelhecida,
tingia de rara lucidez seus olhos verdes
que, em quantos dele se aproximavam,
uma luz límpida de um saber suave enchia...

E o velho, já cansado, a “kobza” dedilhando
nem se importava – nem mesmo os ouvia!?

Cantava apenas os seus cantos sonolentos
- dos verdes prados, qual brisa suave, murmurando...
Lembrava tempos passados – um dia fora jovem!
Quanta saudade retratavam seus olhos embaçados.

Agora, qual órfão, só e sem ninguém no mundo,
aos poucos, de cansaço o semblante seu se cobria.
Calmo despede-se, dos presentes à sua volta
- precisa descansar... Amanhã será um novo dia!
Sua cabeça branca, na fria cerca orvalhada,
já adormecia. Kobza, silente e debruçado, dormia.

Se em risos o coração se desmanchava
- então os olhos choravam de cegueira,
porque não tinham provado dos ventos a meiga brisa
que outrora, por razões não óbvias, ignoravam.

Assim era o Perebendya:
velho e muito quimérico!..
Ao ruão dedica um canto;
depois, à Horlytsya passa.

Às meninas, nas pastagens ---
canta Hrytsya e Vesnyanka

Aos rapazes, em tavernas ---
Serbyna e Shynkarku tocava.

Com os casados banqueteava
(onde uma sogra má havia).
Ali, ele dos álamos lembrava e,
do destino perverso falava; depois
--- entre os arvoredos tudo terminava.

Onde um bazar havia,
ali do Lázaro o poema recitava;
ou, para que soubessem,
em tom melancólico contava,
de como a Sich arruinavam.

Assim era o Perebendya.
--- Velho e quimérico humorista!
Começava cantando; depois,
caia num riso. E terminava ---
Sempre, como um menino, chorando.

Sopram ventos,
tempestades rugem.
Vão varrendo os campos.

Num kurhan-outeiro, o kobzar sentou-se;
tirou da sacola a kobza e tangeu as cordas.
Ao redor seu vastos prados, como se ondas
de azuis águas --- lá dos mares,
de mormaço os ares encheram...

Por detrás de cada outeiro,
outros outeiros emergem...
Mais além, --- nada se avista;
sombriamente, algo se perde de vista.

Grisalho o bigode e o velho topete
baloiçam ao vento. Olhos choram,
e a cegueira sua todos ignoram!...

Os ventos cessaram...

O velho se esconde por trás dos outeiros,
para que ninguém o veja triste.
Para que os ventos levem --- as suas palavras,
pelos campos, como se elas de Deus fossem.

O coração, às vezes conversa com Deus,
às vezes a Sua glória proclama; enquanto
o pensamento, sobre as nuvens navega...

Como águia navega, plana nas alturas
--- espaços azuis, com asas, fustiga;
repousa nos raios solares... E indaga:
Em que aposentos eles dormem --- e,
de que modo se levantam. Por que?..

Ouve o cochichar dos mares.
Quer saber do monte: "Por que ele é mudo?"
Voa de novo às nuvens --- beirando os céus.

A terra é triste... --- Muitos pesares e dores.
Na vastidão da sua largura, refúgio não há...
Nem mesmo, para Quem tudo sabe;
nem mesmo, para Quem tudo houve:
O que dizem os mares, onde o sol dorme.
Não há quem O aceite. No mundo, não há...

Entre todos, ele é só, como um sol distante.
Conhecido é do povo... --- a terra o carrega;
Porém, se soubessem que ele é sozinho ---
que canta nas tumbas, com os mares parola,
das suas palavras divinas não fariam risos...
Talvez, o chamariam de tolo e de simplório
--- para longe dele se afastariam.

"Que pelas águas passeie!" --- diriam:

Muito bem. Oh, kobzar velho!
Muito bem que ainda tu andas:
canções fazes e palestras,
sobre os kurhany promoves!

Também tu, o meu amado,
perambule como podes ---
cante, do coração, cantos;
p'ra que não ouçam os teus prantos.

Para que não te desprezem,
indulgente sê com todos!..
Salte fora... Patrão manda
--- é p'ra isto que ele é rico.

Assim era o Perebendya.
--- Velho e quimérico humorista!
Começava cantando; depois,
caia num riso. E terminava ---
Sempre, como um menino, chorando.

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Nota:
"Ao ruão dedica um canto;
depois, à Horlytsya passa."

poderia ser:

"Ao ruão dedica um canto;
depois, à pombinha
um cantar devota."

Perebendya --- Humorista fantasista e excêntrico.
ruão --- Pelo do cavalo alazão, que tem as crinas e a cauda brancos
Horlytsya --- Uma canção dançante: " Oh!, menina-pombinha se agarra ao cossaco"
Hrytsya e Vesnyanka --- duas canções populares; a segunda, uma canção primaveril.
Serbyna e Shynkarku --- duas canções populares; Serbyna de origrn Sérvia
Sich --- Refere-se à Sich Zaporozhs'ka, criada no séc. XVI, nas regiões do Dniprovia.
A Sich foi extinta em 1775, por um decreto (ukaz) de Yekateryna II.

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04/04/2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Prychynna -- A louca

Prychynna
Taras H. Shevchenko
1837 St. Petersburg

Tradução de Mykola Szoma
(Shchoma Mykola Opanasovych)

Gemia furioso o Dnieper largo,
uivantes ventos se agitavam ---
vergando os ramos dos salguiros,
enormes vagas de ndas levantavam.

Prateada a lua naquele instante
por trás das nuvens se escondia,
como se fora uma pequena nave,
por sobre as ondas, se embalava.

Galos ainda não tinham cantado,
em parte alguma havia gente inda.
Só corujas nos bosques chirriavam
e freixos, por vezes, crepitavam.

Num dia assim, ao pé do monte,
juntinho àquele bosque,
cuja imagem flutua sobre as águas,
alguma coisa --- branco, vagueia.

Pode ser uma sereia
a sua mãe buscando?
Ou, à espera do amado,
não a ninfa vagando
--- mas uma linda donzela,
que não sabe (pois é louca)
o que está fazendo.

Quiromante assim dissera,
para que sofresse menos,
pela meia-noite ali estivesse
--- à espera do seu amado,
o cossaco, que se foi no ano.
Prometeu voltar um dia;
mas, talvez tenha morrido
em terras longes, espartano.
Não com seda leve
foram seus olhos cobertos,
nem lavado foi seu rosto
com lágrimas puras:

Falcão sugou os seus olhos,
em terra dos outros,
devoraram o seu corpo
os lobos ferozes,
--- esta foi a sua sorte!

Em vão a espera ---
ele não mais volta...
Não fará carícias nela,
não desfará trança longa sua,
jamais atará o lenço nela.
Não dormirá com amada
--- numa tuma foi sepultado!

Assim foi o fado dela... Oh, meu Deus amado!
Por que tanto a castigas, ela é tão jovem?
Porque louca --- tem se apaixonado
por aqueles olhos de cossaco?
Que a perdoe!.. A quem amar deveria?
Sem pai e sem quem lhe deu a vida ---
órfã, só... Como um pássaro em longes terras.

Dê-lhe a sorte, muda-lhe o fado, --- ela é jovem,
para que não seja, por estranhos, zombado.
É culpada a rola por ter se entregue ao pombo?
Ou culpado foi o pombo, pelo falcão devorado?..

Se aflige e murmura, entendiada, pelo mundo,
voando de um lado a outro, procurando o que?
A feliz pombinha voa livre pelas alturas,
chegando até aos páramos divinos --- indagando
por onde anda o seu amado. E ela o procurando.
Quem mais lhe dizer algo poderia?
E quem, a seu respeito, alguma coisa saberia.
Em que plagas dormida o seu querido:
na escuridão de um bosque cerrado, ou
nas águas velozes do Danúbio, sacia o seu cavalo.
Poerá estar com outra. Partindo seu amor com ela.

Então, já esqueceu a sua morena, --- justo ela?

Se tivesse de uma águia as asas,
no além do mar azul, o seu amado encontraria.
Se vivo estivesse, amá-lo-ia, --- a outra, sufocaria;
se já morto estivesse, ao lado dele na tumba cairia.

Um coração não ama, para com outros partilhar ---
não será este o seu desejo.

Porém, é Deus que assim o determina.

Nem mais viver, o coração almeja
e, muito menos, padecer de tristeza.
"Sofra, sofra", --- diz o pensamento.

Meu Deus! Meu Deus! Por que o padecer.
Assim é a sua sorte, assim é o fado dela!

Vagando ela calada, perambula pelas encostas.

O Dnieper largo não se alvoroça,
embora os ventos quebrem as negras nuvens...
Por fim, cessaram as ventanias ---
deitaram-se junto às águas azuis dos mares,
para doar-se a um repouso e ver a lua emergir.


Por sobre as águas, por sobre os bosques,
a calmaria se estendeu. E tudo ficou mudo.
E eis que, da brusquidão do Dnieper largo,
nas ondas emergiram pequeninos infantes:
"Aquecer-nos queremos! --- vozes bradaram,
--- os ceus já estão no ocaso!"
(Estão todos desnudos;
parecem carriços --- são tranças,
de meninas cabelos cacheados).

"Estarão voces todas aqui? ---
ouviu-se uma voz de mãe . ---
"A hora chegou do jantar, todas p'ra casa!"
"Brincaremos ainda por mais tempo e
cantaremos mais uma nossa canção:

Oh! Ah!,
De colmo a nossa vida e o alento!
Quando a mãe deu-me a vida
--- deixou-me sem batismo...

Ó luar, vem encantar-nos!
Vem jantar conosco!..

Temos um cossaco entre os juncos,
entre os caniços e, um anel de prata,
que reflete o espelho d'água
por sobre a copa da mata...

Um jovem moreno, de olhos castanhos,
encontramos ontem entre os arvoredos.

Ilumine mais --- Oh, prateada lua!
todas as campinas,
para que possamos divertir-nos mais
--- nós somos meninas!
Enquanto feiticeiras-corujas voam,
e os galos não cantaram inda,
ilumine nossos campos...
Para que possamos ver quem por ali anda:
quem, por entre aqueles carvalhos,
a sua vida demanda!

Oh! Ah!,
De colmo a nossa vida e o alento!
Quando a mãe deu-me a vida
--- deixou-me sem batismo..."

As ínfidas sem batismo
às gargalhadas se lançaram...
Do bosque, em resposta,
surdos ruidos e zumbidos,
pelos espaços, se propalaram.

Contritas as ínfidas não batisadas,
perceberam --- algo perpassando
os troncos arbóreos até ao topo...

Era aquela menina que vagueava e,
sonâmbula perdia-se no bosque:
Foi este o sortilégio, que
a quiromante vaticinara...

Bem no topo de um extremo galho,
de pé ela postou-se... Olhou à sua volta
e, como uma pedra, ao chão lançou-se!
Mas, as sereias suas amigas, silentes,
em seus braços a acolheram. Afagaram
o seu rosto meigo. E se embeveceram!..

Os terceiros galos já tinham cantado.
As sereias, cumprindo a tarefa sua,
mergulharam nas águas do Dnieper.

Pelos prados ecoou
um canoro som
de um coral diferenciado:

o gorjeio de cotovia, em seu voo vertical;
o rabilongo cuculando, em dissílabo tonal;
o rouxinol trinando, num gorjeio sem igual!

Lá, de tras dos cômoros e dos montes,
avermelhados os horizontes se avistam
e um lavrador --- ao som desta cantoria,
corta a terra, revirando-a com um arado.

Atrás daqueles bosques,
onde derrotados senhores-polacos eram,
sobre as águas, sombras se alevantam...
Entre as sombras, os kurhany azulecidos,
como outeiros, envelhecidos despontam!..

Murmuraram os folhames, lá no bosque
--- cochicharam, entre si, os sarmentos.

Junto à estrada castigada, na beirada
--- debaixo da sombra de um carvalho,
dorme a menina... Só e abandonada!..
Dorme ela. Não escuta os cantares ---
aquele canto da cotovia, do rabilongo,
do rouxinol. --- Para ela, nada diriam...

Entre os arvoredos, de um carvalho,
aparece de saida um cossaco.
Vem montando um cavalo murzelo
--- que quase não anda;
de tão lento de cansado,
que indolente ele pisa.

"Exausto te sentes, companheiro!
Breve terás um repouso:
Não distante está a choupana
--- onde a menina, te espera;
haverá de abrir-te a porta...

Talvez, já tenha aberto ---
não para mim, mas para outro...
Vamos presto, meu cavalo amorado.
Pressa tenho de 'starmos em casa!.."

De tanto cansado, nem mais anda
--- o cavalo só tropeça.
O coração do cossaco dores snte
--- até parece que, dentro dele,
o veneno de uma serpente cresce.

"Eis o carvalho de copa frondosa...
Será que é ela! Oh, meu Deus... é ela!
Adormeceu, apoiando-se na janela ---
Com a mão na aldrava,
ela por mim esperava!.."

Pulou do cavalo --- correu...
"Meu Deus, oh!.. Deus meu!"
Abraçando a menina, gritou...
Não mais é possil.
Tudo acabou.

"Por que separar-nos, agora?
Que sorte ingrata,
a pregar-nos este fim!.."
Soltou gargalhadas, qual louco
--- e cabeçadas de desgosto
contra os carvalhos desferiu!

Vão para os campos, ceifar os trigos,
do vilarejo as meninas. --- Cantam alegres;
colhendo as flores pelas searas. --- Assim:

E foi aqui que, contra os tártaros,
bravos irmãos nossos lutaram...
E foi aqui que, em despedida,
mães se separavam de seus filhos.

E mais além, à sombra de um carvalho
--- pousa triste um cavalo extenuado;
junto a ele, um cossaco airoso
--- entre os braços fortes,
acaricia o seu amor mimoso.

Curiosas as meninas
(a verdade seja dita)
sorrateiras se fizeram;
ao chegarem
--- bem mais --- perto;
do que viram, se frustraram.
--- Do cossaco era o cadáver!

De virada, no pé deram.
Nunca mais ali voltaram.

Reuniam-se os casais
--- p'ra enchugar lágrimas doridas;
reuniam-se os amigos
--- para cavar sepulturas;
Chegaram os padres com as cruzes
--- para os sinos dos finados vibrar.

Tudo foi, segundo as normas;
--- como manda o figurino. ---
Junto à estrada, duas tumbas.

Que os dois em paz repousem!
Que ninguém mais lhes pergunte
por que foram mortos?

Sobre a tumba do cossaco ---
um ácer, um bordo,
e um garboso abeto;
sobre a tumba dela ---
uma rosa-de-gueldres à sua cabeça.

Quer cucar (o cuco)
sobre as sepulturas;
também quer o rouxinol
trinar, --- só às noites;
enquanto a lua não empalidece.
Até que a mãe-d'água --- a sereia,
nas águas azuis do Dnieper se aqueça.

04/03/2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Думаючи я сам зі мною

Mykola Szoma
(Shchoma Mykola Opanasovych)

Думування ж мої, думування!
Чомуж ви для мене такі мучіння?
Чомуж перемінилися ви,
на зім”ятому листочку,
у поразкові рядочки
і, також, немов заплачки?..

Ваша ціль показником бути
десь якихсь координатів –
якіб керували мої кроки
тривко йдучи та ступати.

Не такеж то ось і сталось: я плачу
— яке решіння можу дати?
Гляну на лівий бік, тінь бачу;
на правому боці, нічого не пізнаю.
Якеж велике ось перехрестя!..

Або втечу,
або загину в якімсь майбутьнім!..
Якажто є трагедія!
Чи є хтось щоби мене послухав?

Думування ж мої, думування!
Чомуж для мене ви такі мучіння?

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Переклад із португальської мови.
Перекладач: Щома Микола Опанасович
Автор оригиналу, на португальській мові:
Щома Микола Опанасович
(Mykola Szoma)
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04/01/2009

Pensando comigo mesmo

Pensamentos, meus pensamentos!
Por que vós sois os meus tormentos?
Por que vos transformastes,
numa folha amorfanhada,
em fileiras de assombros
e, também, de lamentos?..

Deverieis dar-me apontamentos
de algumas coordenadas -- que
fizessem dos meus passos
caminhar firmes pisadas.

No entanto, eis-me em pranto --
o que devo decidir?
Olho à esquerda, vejo sombras;
à direita, nada posso distinguir.
Que tamanha encrusilhada!..

Ou me safo,
ou me sumo num por "vir"!..
Que tragédia!
Há quem possa me ouvir?

Pensamentos, meus pensamentos!
Por que sois vós os meus tormentos?

04/01/2009