quarta-feira, 1 de abril de 2009

Pensando comigo mesmo

Pensamentos, meus pensamentos!
Por que vós sois os meus tormentos?
Por que vos transformastes,
numa folha amorfanhada,
em fileiras de assombros
e, também, de lamentos?..

Deverieis dar-me apontamentos
de algumas coordenadas -- que
fizessem dos meus passos
caminhar firmes pisadas.

No entanto, eis-me em pranto --
o que devo decidir?
Olho à esquerda, vejo sombras;
à direita, nada posso distinguir.
Que tamanha encrusilhada!..

Ou me safo,
ou me sumo num por "vir"!..
Que tragédia!
Há quem possa me ouvir?

Pensamentos, meus pensamentos!
Por que sois vós os meus tormentos?

04/01/2009

terça-feira, 31 de março de 2009

Pensamentos meus, pensamentos

Taras H. Shevchenko
1839 St. Petersburg

Tradução de Mykola Szoma
(Shchoma Mykola Opanasovych)

Pensamentos meus,
meus pensamentos
--- desgraça sois vós para mim!
Por que vos transformastes,
sobre folhas amorfanhadas,
em fileiras tristes, assim?..

Por que o vento não espalhou-vos,
como poeira, pelas campinas?
Por que a sorte não adormeceu-vos
como se infantes fosseis
em noites de encantos?..

A sorte ingrata trouxe-vos ao mundo
para que o mundo risse, como
se estivesse rindo de um vagabundo.

Lágrimas caidas, não vos resgataram
--- pouco a pouco, quase afogaram!..

As ondas azuis dos mares, por que
não vos destroçaram --- espalhando,
como cinzas, pelas estepes?
Depois, dizer poderiam --- aos homens,
para que nada indagassem
dos meus sofridos dias...

Por que maldigo eu a minha sina,
saber ninguém precisa. Ela é minha!
Por que sou vagabundo?
"Porque eu nada faço"
--- De mim não riam! Não sou do mundo.

Flores minhas, meus infantes!
Por que cuidei, por que amei vossas idéias?
Haverá no mundo quem chore tanto,
quanto eu chorei convosco?..

Lembro, agora...

Há sim... --- Talvez seria um coração
de uma morena, de olhos castanhos,
que choraria, mais do que tudo,
debruçada sobre estes
meus pensamentos estranhos.

Satisfeito fico.
Que elogios tamanhos!
Uma lágrima dos olhos dela ---
sinto-me senhor de tudo!
Pensamentos meus,
meus pensamentos
--- desgraça sois vós para mim!

Pelas sobrancelhas negras,
pelos seus olhos castanhos
o coração meu palpita
--- parecendo escapar possa
e, os pensamentos meus,
só dela conversam,
só dela sorriem ---
em verso, em prosa.

Pelas noites negras,
dos jardins de cerejeiras verdes
e dos olhos meigos dela,
pensamentos meus vagueiam...

Pelas estepes, pelos kurhany,
que se estendem pela Ucrânia,
navegar meus pensamentos ---
cantar versos, como eu poderia
em terras distantes e estranhas.

Reunir kozky, com suas bulava
e bunchuhy, para um Conselho
--- o meu coração não desejaria,
sobre alguns montões de neve...

Que as almas dos kozaky
respeitadas sejam ---
na Ucrânia livre,
de ponta a ponta...
Como aquela liberdade,
que um dia houve e,
que já passou:

Dnieper largo --- o mar nosso,
estepes e campinas, e
o gemido dos escarpados,
os sepulcros --- montes, kurhany. ---
Assim nasceu e se escudou
a livre vontade dos kozaky.

Da nobreza gente --- dos tártaros,
cobriam-se os campos ---
os cadáveres dormiam
um gélido sono . E, ambos,
a Ucrânia e a sua liberdade,
ao sono se deram...

Ergueu-se uma sepultura, em forma de colina
--- nasceram outeiros, nasceram kurhany.
Sobre eles, suas asas, uma águia negra estende
--- uma guarda sempiterna, até parece, que os defende.

Os kobzari tudo contam,
para que o povo saiba ---
como éramos antanho...
Como somos hoje.
Eles sabem porque cantam...
Mas eu, cá comigo
--- choro apenas, sem nenhum abrigo.
Choro apenas, palavras não tenho...
Fugir do infortúnio, é o que feito eu tenho!
Mas quem não o faria
se de alma este mundo apreciasse.

--- Veria um inferno em tudo.
Haveria quem o aplacasse?..
E lá, do outro mundo,
haveria quem lhe acenasse?

Não terei sorte alguma
--- nunca a tive, por causa nenhuma.

Que os pobres vivam
não mais que três dias;
guardarei seus corpos numa sepultura.
A serpente brava manterei comigo,
para que não tenham do veneno a fonte.
P'ra que ninguém saiba como ri a morte!..

O meu pensamento, que voe ligeiro.
Como águia crocite; enquanto
o coração chora, fechado em masmorra.

Não enchuguem os meus olhos,
minhas lágrimas não secam ---
elas regam as campinas
de povos estranhos.
Haverá o dia, quando a terra de outrem
servirá de uma cortina leve, e apenas...
Até lá, fazer-se o que há de?..
Não se vive de tristeza.
Quem de um órfão tem inveja,
que Deus o castigue!

Pensamentos meus,
meus pensamentos
--- flores minhas, meus infantes!
Cultivei-vos, tornei-vos robustos,
--- o que farei de vós agora?

Mandaria-vos para a Ucrânia
para que vagasseis órfãos ---
órfãos sós de tudo,
e dormisseis sob a cercas
dos bordeis imundos?..

Vades sós... Sim!
Mas eu não --- não posso!
Ficarei aqui. Aqui me termino.

Encontrareis um abrigo
num coração prestimoso
--- de fala amável e mui carinhoso;
lá tereis toda a verdade e,
talvez, algum punhado de glória...

Minha Pátria!
Ó, minha mãe Ucrânia!
Acolha os infantes.
São travessos, irrazoáveis e, muito pedantes.
Mas eles são teus, porque são meus filhos...

São meus pensamentos errantes.

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bulava --- Bastão, um símbolo de autoridade maior
bunchuhy --- Um bordão tendo, uma das extremidades (inferior), ou ponteaguda, ou arredondada; na outra extremidade (superior), uma mecha de crina de cavalo. Era o símbolo de autoridade dos
"hetmany" e dos "otomany"

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03/31/2009

segunda-feira, 30 de março de 2009

"Não Esqueças de Mim" e "Para Osnovyanenko"


Não esqueças de mim


Taras H. Shevchenko
maio - junho 1840
St. Petersburg

Tradução de Mykola Szoma
(Shchoma Mykola Opanasovych)

Viajarás para longe,
verás muitas coisas;
ficarás admirado, tristeza sentirás, ---
não te esqueças de mim, meu irmão!


Para N. Markevych
Tras H. Shevchenko
9.05.1840 St. Petersburg

Tradução de Mykola Szoma
Shchoma Mykola Opanasovych

Banduresta, pombo plúmbeo!
Parabens, irmão meu:
tens tu asas, e tens forças,
sob os céus da pátria, para voar!
Estás voando para a Ucrânia ---
ali te esperam. Lá tu vais cantar.
Eu, contigo voaria
--- porém, lá não me conhecem!
Não há quem me recepcione.

Aqui, também sou estranho.
Serei órfão sempre
--- qualquer pátria, que eu escolha,
não terá me ganho.
Então, por que sofre o coração aflito?
Sem família --- solitário,
suspiros aspira pelo rincão ucraniano
--- das estepes e dos vales padece saudades!
Lá os ventos são mais fortes,
como irmãos conversam ---
varrendo campinas;
a topolya lá tem vida e tem liberdade:
suas folhas se espalham
pelo azul dos mares;
lá os mares desmontam a costa
que limita as suas ondas e,
lá Deus a sua glória aposta!
Cômoros das tumbas confabulam ---
lá nas estepes, com todos os ventos.
Tristes lembranças contam ---
eu escuto os seus lamentos:
"Na Ucrânia, antigamente, acontecia algo
--- não terá mais volta.
Deixou, de outeiros, o salto!"

Gostaria eu ter asas
--- voaria para a pátria.
Choraria com os ventos,
lembrando o passado...
Porém, não quis o destino
--- deu me a sorte de ser peregrino.

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N. Markevych (Mykola Andriyovych Markevych, 1804 - 1860) Poeta ucraniano, músico, etnógrafo, historiador. Shevchenko encontrou-se com Markevych, pela primeira vez em 1840, em St. Petersburg.
Bandurysta "Banduryst" --- nome de um poema encontrado na única coleção de poesias de Markevich (Melodias ucranianas)
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Para Osnovyanenko
Taras H. Shevchenko
1839 St. Petersburg

Tradução de Mykola Szoma
(Shchoma Mykola Opanasovych)

Quebram ondas as encostas;
cresce a lua sobre as colinas,
como antes sempre crescia...

Não existe mais a Sich, nem
existe aquele que a conduzia!

A Sich não mais existe
--- restos de juncos ficaram, que
às águas do Dnipro,
suspirando, indagaram:
"Nossos filhos estão onde,
para que lugares foram?"

Grasnam gaivotas, alegres voando;
mas a sua voz parece um choro ---
pelas crianças perdidas;
Sopram ventos, o sol encandece:
dos cossacos, a estepe fenece!..

Por todos os campos, das estepes vastas,
espalhados se avistam tristes túmulos kurhany;
Perguntam ao vento e às tempestades:

"Para onde reinar foram os nossos passados?
De que pátria se orgulham hoje,
como banqueteiam --- onde se perderam?
Voltem pronto! Vejam em volta ---
de trigo as searas já amadureceram.
Foi ali que seus cavalos pastos acolheram,
foi lá que, sob os pés, o capim arramalhava e,
foi lá, que do tátaro e do polaco, o sangue deitava.
Voltem já! É tempo!"

"Não, não voltarão! ---
As ondas do mar disseram. ---
Não voltarão nunca; para sempre se perderam!".

É verdade. O mar azul sabe!
Esta foi a sorte deles:
Não voltarão os muito esperados;
nem voltará a liberdade;
nem voltarão os zaporozhtsi
--- não vestirão os hetmany
os seus vermelhos zhupany!
Maltrapilha, ficou órfã.
--- Sobre as margen do Dnipro lamenta.
Triste a vida sua... Ninguém acalenta...

O inimigo ri de tudo...

Ria, ria enquanto podes!
Mas, não ria muito. Tudo finda
--- honra nossa ainda vive!
Não morremos... Voltaremos.
Contaremos o que vimos e o que fizemos,
qual foi a verdade e quem mente à toa ---
De quem somos filhos. De quem, a coroa.
Nossa duma, nosso canto
são eternos, não perece o seu objeto...
Junto ao povo a nossa glória:
A glória da Ucrânia!

Sem enfeite de ouro e de prata,
sem pedras preciosas.
Sem a lingua jactanciosa,
mas vivaz na fala:
verdadeira e clara.

Assim é --- confirma a história e,
também, os otomanos.
Sempre falo a verdade;
mesmo que não tenha eu talento!

A verdade sempre vence, qual for o advento.

Mais ainda
--- nos rodeia a Moskovshchyna,
tudo nos é estranho.
"Não compactue", --- poderás dizer-me:
Disto o que resultaria?
Farão pouco caso, do teu choro raso,
que em teus prantos lhes darias.
Zombarão da sorte tua...

Viver junto a eles, não concorde!

Derrotá-los quereria, se um poder tivesse.
Se a força dos meus anos assim o pudesse.
Cantaria, então, em versos, o poder da glória
--- pagaria os meus gastos ao som da vitória!

Perambulo pelas neves, abrindo caminhos:
"Mas não façam muito barulho --- ó, varzeas e prados!"
Além disso, mais não posso.
E tu, bem o sabes:
quando detens força, o povo respeita.
Tens palavra firme --- o seu canto é notório;
conte lhes as glórias --- da Sich, dos kurhany,
cada qual quando ergueu-se
e quem dorme calmo em seus "aposentos".

Conte a história dos tempos remotos,
os milagres que houveram e sumiram
nos idos de outrora. Conte ao mundo.
Que todos escutem! Porque a Ucrânia
morreu tantas vezes... Porque a glória
dos cossacos sempre a levantara!..

Otomano, águia plúmbea nossa!
Deixe que eu chore ---
que relembre a pátria minha,
se possível, que a ela retorne
p'ra ouvir do mar as ondas
segredar aos ventos
como a morena de olhos castanhos
sob a sombra dos salgueiros
cantarola "Hrutsya".
Que se alegre, em terra estranha,
o meu coração pacato;
antes que se estenda, para sempre,
numa tumba, num anonimato.
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Osnovyanenko (Kvitka Hryhoriy Fedorovych, 1778 - 1843) --- Um clássico da prosa ucraniana. Osnovyanenko era o seu pseudônimo. Escrevia ucraniano e em russo. Foi um dos primeiros a congratular-se com a publicação de "Kobzar" de Taras H. Shevchenko.
"Quebram ondas as encostas" --- O poeta
teve em vista as encostas da ilha "Fortytsia" do rio Dnipro.
Sich (Zaporizhs'ka Sich) ---
Sich (fortaleza) dos kozaky de Zaporizhzhya, que tinha suas instalações principais na ilha de "Fortytsia" (séc. XVI - XVIII).
kurhany --- pequnos outiros, com vegetação rasteira, sobre os túmulos
duma --- idéia (pensamento). Pode significar "Conselho Nacional" de Estado.
Moskovshchyna --- tudo o que se refere a Moskoviya (suas terras, seu povo, sua lingua). Moskoviya era o nome original da Rússia.
Hrytsya --- Canção popular deste nome.
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03/30/2009

domingo, 29 de março de 2009

Dumka 2

Taras H. Shchevchenko
1838 St. Petersburg

Tradução de Mykola Szoma
Shchoma Mykola Opanasovych)

Vento bravo, vento indomável!
Tu sempre parolas com os mares.
Acorda as ondas suas, levanta as vagas!
A seguir, com eles, realize uma peleja.
Indague as águas revoltas.
--- Elas sabem do meu amado.
O mar sabe tudo...

Foram elas que o levaram
para as longes plagas de terras distantes.
--- Onde o deixaram?
Em que parte das areias o abandonaram?

Se afogaram nas águas profundas,
então quebre as suas ondas;
que eu irei buscar os seus restos
no afogar dos meus infortúnios...
Tornarei-me uma sereia,
mergulhando nas águas escuras
do fundo dos mares.
Se ali encontrá-lo
--- juntarei, ao peito meu, seu peito;
depois, desfaleço.
Então, as ondas me carreguem
para onde elas queiram.
O destino, que os ventos decidam!

Se o amado, do outro lado, estiver pousado,
sabes tu --- ó, vento bravio!
Que caminhos ele trilha,
o que faz --- e, quais os seus passos...
Sabes tu, por certo: com ele conversas.
Se ele chora, também choro
--- o coração me avisa;
se ele canta, também canto.

Mas, se ele já está morto,
morrerei com ele.
Que a minh'alma se traslade
bem juntinho à dele.
Que a rosa-de-gueldres
o seu sono tanquilo meneie.

Mais tranquilo, em campo estranho,
repousará o órfão --- Seu amor,
ao lado dele, como flor vermelha,
cuidará pra sempre
--- dos raios do sol,
a sua delicada pele.
Para que não se profane
a terra-lájea da sua tumba...
Ao cair das noites,
quedarei triste meus ramos;
chorarei, pelas manhãs,
gotas de orvalho ---
para que o sol as seque
e, depois, ninguém as veja.

Vento bravo, vento indomável!
Tu sempre parolas com os mares.
Acorda as ondas suas, levanta as vagas!
A seguir, com eles, realize uma peleja.
Confabule com as revoltosas águas.

03/29/2009

sábado, 28 de março de 2009

Ivan Pidkova

Ivan Pidkova
Dedicatória para V. I. Shternberg
1839 St. Petersburg

Tradução de Mykola Szoma
(Shchoma Mykola Opanasovych)

I

Acontecia antigamente --- na Ucrânia
artilharias de canhões troavam;
Antigamente --- os zaporozhtsi
sabiamente firme comandavam.
Comadavam conquistando
as liberdades e as glórias;
Passou tudo. Acabou-se ---
restaram apenas as tumbas.
Sepulturas espalhadas
pelos nossos campos,
dão repouso merecido
aos nossos cossacos.
Envoltos, em seda macia,
descansem honrados --
os seus túmulos altivos
serão sempre respeitados.
Confabulem com os ventos
em tons de pilhéria...
Saibam eles que a glória --
a dos nossos pais-avós,
só deixou-nos plena vitória!
Netos seus nós somos:
aprendemos a segar orvalho.

Acontecia antigamente --- na Ucrânia
a plena desgraça bailava;
A tristeza entabernada com a vodka
sempre rebelde andava...
Acontecia antigamente --- a vida era boa
naquela Ucrânia, que deixou
apenas só lembranças!
Que não sejam pois, lembranças à toa.

II

Negras nuvens sobre a Lyman
--- o sol eclipsou-se,
o mar azulado como fera,
ora geme, ora uiva ---
afogando do Dnipro a foz.
"Vamos, vamos Rapaziada!
Aos baidaky! O mar se revolta
--- passear iremos.
Para onde, pouco importa!.."

Despejaram-se os kozaky,
as corvetas cobriram os rio.
"Encapele-se... Ó, mar revolto!"
--- canções ecoaram e,
as ondas, vagas levantaram.
Ondas grandes, como montes:
nada se avista --- nem dos céus,
e nem da terra, tem-se alguma pista.
Coração apavorado é o que deseja --
do cossaco a alma vive de surpresa.
O comboio continua navegando,
os kozaky alegres riem cantando
--- ao longe, gaivotas voando...

Otomano à frente
conduzindo, a esquadra,
para onde ele só sabe...
Passos largos --- caminhando,
ao longo da nave.
O cachimbo seu se apaga;
ele olha para os lados ---
pensando: onde mais há inimigos?
Torceu os bigodes negros,
ajeitou topete, por trás das orelhas,
levantou o chapeu seu --- navios pararam.

"Que o inimigo morra!
Não será em Sinop turca, otomanos
--- honrados senhores;
será em Tsarhrad. Ao sultão
faremos a nossa visita!"
"Concordamos, nosso pai otomano!" ---
Ecoou o grito.
"Grato fico a todos!" ---
Chapeu colocou sobre a cabeça.
O inferno inflamou-se e
o mar azul, cortando as naves,
novamente agitou-se.
Otomano-chefe, vendo as vagas,
ao silêncio entregou-se.

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Ivan Pidkova
--- Cossaco de Zaporozhzhya, dos anos 70, do séc. XVI.
Por um breve período, Pidkova havia tomado o poder político da Moldova que, na época, encontrava-se sob as condições de vassalato da Turquia.
Foi preso pelos poloneses e executado por ordem do rei Stefano Batoriya
V.I. Shternberg (Vasilij Ivanovich Shternberg, 1818 - 1845) --- Amigo pessoal de Taras Shevchenko.
Habitavam um mesmo quarto de pensão, por ocasiaão dos estudos artísticos, em St. Petersburg
Sinop --- Fortaleza turca, na costa sul do Mar Negro. Importante porto de mar.
Tsarhrad --- Nome antigo de Constantinópolis, a primeira capital do Império Romano Oriental (até 395 d.C.), dpois, passou a ser capital do Império Bizantino (até 1453 d.C.). Com a tomada da cidade pelos otomanos, passou a se chamar de Istambul (1453 - 1918). Hoje, é a maior cidade da Turquia.
Lyman Vermelha [No poema, apenas "Lyman" = Krasny Lyman (Lyman Vermelha)] -- Cidade fundada em 1667 pelos cossacos do regimento de Izyum. Até 1925 era chamada de Lyman; depois, foi renomeada para Krasny Lyman.
Otomano (Hetman) --- O comandante dos kozaky
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03/28/2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Topolya (Álamo ou choupo)

Taras H. Shevchenko
1839 - St. Petersburg

Topolya (Álamo ou choupo)
Tradução de Mykola Szoma
(Shchoma Mykola Opanasovych)

Ventos sopram sobre os carvalhos,
se divertem, varrendo as campinas;
Junto à estrada, vergam o choupo
-- pela terra, seus galhos dormitam.

Porte esbelto, largas folhas --
por que assim verdejam?
Vasto campo, um mar aberto
azulado, como água, brilha...

O "chumak" olha o choupo,
inclinando a sua cabeça;
dá de encontro ao pastoreio ---
alguém sentado junto à tumba,
sua flauta tristemente toca.

O coração não suporta. Chora!
Ao redor, nenhuma folha verde.
Apenas a topolya --- uma órfã,
morrendo aos poucos sozinha!

Quem teria a plantado --
a tornado assim esbelta,
depois dela se livrado?..
Deixado à morte certa!..

Contarei. Eu conheço a história.

Olhos negros se perderam
por um cossaco pobre.
Mas não soube segurá-lo;
foi-se embora para longe.
Morreu em terras estranhas.

Se ela o soubesse, antes
que se apaixonasse; talvez,
nunca dele se aproximasse.

Também ela, se soubesse,
antes que a morte o levasse,
partir nunca o deixaria...

Se soubesse, junto ao poço
água não buscaria; nem,
até a meia-noite, a seu lado,
os seus dias passaria.

O salgueiro, se soubesse,
também isto lhe diria!
Se ela soubesse,
o que não faria!..

Mas também é infortúnio
--- em saber-se antes,
o que nos espera como caminhantes.

Não saibam, meninas!
Qual será a sua sorte
-- o coração sabe...
a quem amar deve e,
não se aflijam, por erros
-- são tantos!
Descarreguem tudo em prantos.

Não demora muito
que os seus olhos negros
pálidos se tornem e
nas faces enrugadas
vermelhões se formem!..
Não demora muito!
Já, ao meio-dia, fenecerá tudo ---
desbotarão os cílios castanhos...

Amem, enquanto há tempo.
Enquanto o coração pode e
como, só ele, amar sabe!..

Ao trinar dos sabiás ---
lá nos galhos dos viburnos,
cantará cossaco um canto,
caminhando calmamente.
Cantará, até que,
da choupana saia
a morena linda ---
de olhos castanho.
Então, fará esta pergunta:
"A tua mãe não melindrou-te?"
Depois, abraçados --
começam a se amar.

O sabiá continua a trinar.

Até que, enfim, chegou a hora
--- ouvido o gorjeio, de se separar.
Ninguém os viu e
ninguém vai lhes perguntar:
"Onde estivestes ---
o que fizestes, por aí a andar?"
Só eles sabem o segredo guardar.
Amaram-se e se apaixonaram ---
o coração elanguescido desfalecia;
talvez, porque a sorte já pressentia
--- mas, dizer como, não poderia!..

Ficou só... Dias e noites perambula,
como se uma rolinha sem o pombo
--- à merce da sorte, sozinha ficara.

Ninguém ouve os seus lamentos...

Nem mais rouxinóis a encantam,
nem mais sabiás à beira
das águas, dos rios, gorjeiam.
Também, não canta, suas melodias,
a morena de olhos castanhos,
sob os galhos do salgueiro
à beira dos lagos.

Nem mais mais canta, --- será órfã?
Só... e, só, vagueia pelo mundo!
Sem um pai. Sem a mãe amada.
Entre a gente estranha,
o sol não esquenta. --- Dela ri-se.
Sem o seu cossaco, o coração bate
como se na morte a sorte buscasse!

Passa ano. E, dois já se foram
--- nem sinal há do amado;
Como folha seca, fenece aos poucos.
Como flor já murcha, ela nem se nota.
"Porque murchas, minha bela?"
--- a mãe não pergunta;
quis juntá-la a um rico velho.
Que coisa absurda!

"Filha, case! --- a velha mãe dizia ---
Não terás a vida toda.
Ele é rico, solteiraço ---
serás dona de um grande pedaço".

"Não, não quero ser dama.
Não serei esposa dele!
O enxoval de noiva,
que tenho montado,
seja, então, de leve sono
ao meu corpo findo ---
quando for sepultado...

Que os padres rezem a missa,
que as amigas minhas chorem.
--- Descansar será mais leve
ao meu corpo solteiro e jovem".

Mãe idosa não escutava
o que filha sua lhe falava.
--- Fazia o que pensava sempre
e, sempre, o mesmo desejava;
A menina, de olhos negros,
só ouvia... Nem mais chorava...

Numa noite calma ---
dessas em que se ouve
os suspiros da própria alma,
a menina foi à cartomante.
Saber quanto tempo ainda,
sem um amor de verdade,
viver poderia. Já tinha idade!

"Babucenko, minha cara,
coração meu, mãezinha minha!
Diga-me toda a verdade.
Por onde anda o meu amado?
Está vivo, com saúde, se me ama;
ou, se já de mim, nem mais se lembra?
Diga-me... ele está onde?
Se no fim do mundo... --- Irei para lá!
Babuscenko, minha cara ---
Se tu sabes, não me esconda!
MInha mãe tenta unir-me
a um rico velho de estirpe.

Ela gosta dele tanto...
O coração não aceita.
Afogar-me poderia ---
Mas, perder a alma eu não gostaria.

Se o moreno --- o meu amado,
não está mais entre os vivos,
pássaro que eu me torne ---
que ao ninho materno não mais retorne...
Oh!.. Quão triste é a minha sina!
Lá em casa me aguardam
para o meu casório".

"Tudo bem, filhinha; repouse um pouco...
Farás a vontade minha.
Também já fui jovem ---
conheço as maldades.
Passou tudo --- aprendi à bessa;
ajudo aos outros vencer a desgraça.
A tua sorte, menina, de há muito já conheço;
para tanto, um preparado próprio te ofereço".

Dirigiu-se a velha à estante antiga
--- pegou um frasco de poção flamante:
"Tome este, minha cara!
Fará ele arder o coração do seu amante.
--- Deverás ir até um poço de água,
antes do cantar dos galos;
tomarás da água fresca
com estes preparos:
--- alguns goles do flambado
com água do poço...
Terás então minorado,
do coração teu sofrido,
as saudades que tens do amado.
Va correndo
--- pra trás não retornes!
Onde houve a despedida,
terás dele os informes.
Farás um repouso breve
e quando a lua for cheia ---
tomarás mais goles deste.
Tomarás três goles,
para teres uma prova:
se o amado está vivo
ou, se está na cova...
No primeiro gole, não sentirás nada.
No segundo --- um cavalo baio, fará
uma batida de pata no solo; depois,
terás o seu namorado no seu colo.
No terceiro gole... Se nada ouvires,
melhor não saberes do acontecido!

Ouça, ainda! --- Não te persignes...
Farias tudo a perder... --- Vai agora!
Tente, ao menos, de si te aperceber".

Tomou o frasco.
Inclinou-se respeitosa:
"Agradecida fico!". --- Partiu...

Saiu para fora: "Devo ir, ou não?..
Não! Agora, não voltarei!"

Chegou em casa...
Jogou água no rosto.
Tomou o primeiro gole. Sorriu...
Tomou o segundo e o terceiro. Para trás
--- nem sinal. Não se arrependeu. Voou!
Parecia que tinha asas
--- junto ao poço já estava. Sorriu...
Caiu ao chão, se levantou, echorou.
Depois, cantou como jamais cantara:

"Navegue pelas águas, o meu amado!
Corte as ondas do mar azul ---
Também cresça mais a topolya,
que às nuvens estenda seus ramos
--- que mais seja esbelta e flexível;
entre os céus e a terra,
que viva os seus anos.

Então, pergunte a Deus
--- terei, ao meu lado,
a ventura de sentir o calor do amado?
Cresça alto, minha topolya ---
para que, do outro lado do mar azul,
possas ver a minha sorte; --- porque
deste, só tenho a desventura...

Do outro lado, está o meu amado ---
se diverte, cantigas ouvindo. Deste,
triste é o meu choro. Nada existe!..

Conte a ele, quão pacata a sorte ---
o meu coração só pensa nele!..
De mim todos riem. --- Não suporto
nem um pouco. Quero a morte!

Se a mãezinha minha, quiser
sepultar-me; então quem, poderá
cuidar dos seus cabelos brancos?

A seus anos avançados tributar
--- muitos afagos de acalantos?
Oh! Meus Deus! Ouve o pranto!

Que a topolya cresça pronto!..
-- Toque as nuvens na madrugada
para que ninguém a veja, pelo sol
das tardes, ter a copa flambada...

Que o meu amado, de mim longe,
navegue pela águas tranquilas
de todos os azuis mares."

Assim cantava e chorava,
a morena de olhos castanhos...

Por incrível que pareça,
em topolya se transformou.
Com as mãos --- agora ramos,
os céus e as campinas abarcou.

Ventos sopram sobre os carvalhos,
se divertem, varrendo as campinas;
Junto à estrada, vergam o choupo
-- pela terra, seus galhos dormitam.

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topolya --- álamo ou choupo.
A palavra "topolya" é de gênero gramatical feminino
chumak --- era o vendedor ambulante de sal e de peixe, nos séc. XVI - XIX, trazidos da Criméia
babusenko --- nome carinhoso com o qual se dirigia a pessoa idosa e experiente da vida e a quem se pedia um aconselhamento

03/27/2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

Україна ж піднялася...

Як "Катюша" застогнала
-- Україна ж піднялася...
Хоча слова ще й не мала,
вже про себе багатенько знала.
Та й від тоді ж сама із собою
вкладатися в устрій стала.

Зібралися молодії хлопці
щоб почути про славу та волю.
Минулого віку, козаків згадали.
Не знали що тим же часом
собі історію нову писали ---
для себе новую долю будували!

Десятини років так проминуло,
доти хлопці не здобулися сваволі.
Піднялися аж до хмар високих
--- щоби там установити чистий,
український стяг жовтоблакитний!
Тай заспівали нову пісню волі...

А "Катюша" нам вже не потрібна.
--- Сивий стогін її мусимо забути!
Свої маємо забави. Не гармати,
а серденько миле, яке любить ---
То ж із ним будуймо дійснісьть...
А на ній, наших дітей та наші хати.

25 березень 2009 р.